Um blog que objetiva discutir com os visitantes as relações entre o passado e o presente,trocar experiências, informações e análises, contribuir para se pensar historicamente.
Quinta-feira, Setembro 25, 2008
A moeda, o crédito e o capital financeiro
Ao estatizar duas de suas maiores empresas de financiamento hipotecário, os EUA deram uma aula, curta, sintética e brilhante, sobre a natureza do capitalismo, e sobre o funcionamento dos seus mercados. Neste sistema, não existe um "conflito perene" entre a política e o mercado, mas uma sólida aliança entre o poder e a finança.
José Luís Fiori
“Todas as moedas são símbolos, e o seu peso ou composição não tem maior importância. O que de fato importa é o nome ou o poder de quem a emite”.
Mitchell Innes, What is money, Banking Law Journal 1913, May, p: 382
Para surpresa dos ideólogos, os Estados Unidos acabam de dar uma aula, curta, sintética e brilhante, sobre a natureza do capitalismo, e sobre o funcionamento dos seus mercados. Com poucas palavras, o governo americano anunciou, nesta última semana, a estatização das duas maiores empresas de financiamento hipotecário dos EUA - a Fannie Mae, e a Freddie Mac – criadas pelo estado americano, em 1938 e 1970, e depois privatizadas, com o objetivo de diminuir os gastos públicos e aumentar a concorrência setorial.
Ao anunciar sua decisão, o secretário do Tesouro americano prometeu injetar até U$ 200 bilhões dos contribuintes, nas duas empresas que controlam metade do mercado de hipotecas dos EUA, estimado em 12 trilhões de dólares. Mas não é só isto: nos últimos meses, o Fed financiou a aquisição do Bear Stearns pelo J.P. Morgan; criou uma nova linha de financiamento para firmas externas ao setor bancário; e colocou seus “inspetores” para controlar os bancos de investimento. Enquanto o Congresso americano aprovava, no último dia 30 de julho, a Lei para a Recuperação da Economia e do Setor Imobiliário, e discutia uma nova regulamentação rigorosa e detalhada do mercado financeiro americano. E agora, mais recentemente, o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, propôs diretamente a criação de uma nova Agencia Estatal de análise de risco das empresas privadas. Ou seja, de todos os lados está vindo o mesmo sinal: como diz o jornal Financial Times, “no conflito perene entre a política e o mercado, não há duvida, que neste momento, a política está por cima” .
Enquanto isto, os analistas econômicos batem cabeça, há mais de um ano, sem conseguir explicar a natureza, a extensão e o futuro da crise hipotecária americana. Talvez, porque todos compartilham, de uma forma ou outra, a mesma tese do Financial Times: a idéia equivocada de que existe um “conflito perene”, entre a Política e o Mercado. Apesar de que a história da formação dos mercados e do capitalismo, aponte na direção oposta, de uma solidariedade essencial e originária entre o poder, o mercado e os capitais privados.
Uma história que começa, por volta do século XIV, com o poder arbitrário dos príncipes que definiam de forma soberana, o valor dos tributos que deviam ser pagos pelos seus súditos, e ao mesmo tempo, definiam o valor da moeda que cunhavam para pagamento dos seus próprios tributos. E mesmo quando circulavam outra moedas e títulos privados, dentro do seu “principado”, eles sempre eram referidos, em última instancia, ao valor da moeda soberana. Este “circuito” inicial se complicou com a expansão das guerras e a necessidade dos príncipes recorrerem ao endividamento, criando a dívida publica negociada pelos comerciantes-banqueiros, num mercado cada vez mais extenso de títulos e moedas. Foi assim que nasceu o capital financeiro através da senhoriagem entre as moedas e títulos das unidades soberanas do mundo Medieval.
O passo seguinte desta história aconteceu nos séculos XVII e XVIII, com o nascimento dos primeiros estados nacionais, e com a “revolução financeira” que mudou a face do capitalismo europeu. Esta revolução começou na Holanda, no século XVII e se completou na Inglaterra, no século XVIII. Os dois países centralizaram seus sistemas de tributação e criaram bancos públicos responsáveis pela administração conjunta, da dívida soberana, na forma de bônus do estado, e da dívida privada, na forma de letras de cambio, que se transformam na base de um sistema de credito cada vez mais elástico, criativo e diversificado, mas sempre referido, em última instancia, à moeda de conta nacional. E não há duvida que a fusão entre esta nova finança holandesa e inglesa, a partir de 1689, teve um papel decisivo no fortalecimento e na vitória colonial da Inglaterra, e na projeção internacional da moeda inglesa, a Libra, que foi hegemônica em todo o mundo até sua “quase-fusão’ com o Dólar norte-americano, durante o século XX. Numa espécie de sucessão “hereditária”, que partiu da Holanda e da Inglaterra, e se prolongou nos Estados Unidos, mantendo a supremacia monetário-financeria anglo-saxônica, inquestionável durante os quatro séculos de história deste sistema mundial que foi criado a partir da expansão política e econômica da Europa.
Durante o período em que a “moeda internacional” teve uma base metálica, a Libra e o Dólar também tiveram uma restrição financeira intransponível, imposta pela necessidade de equilíbrio do Balanço de Pagamentos do país emissor da moeda de referência. Mas depois do fim do Sistema de Bretton Woods, em 1973, esta restrição desapareceu, com o novo sistema monetário internacional “dólar-flexível” que não tem nenhum tipo de padrão metálico de referencia. Neste sentido, se pode dizer que houve uma nova “revolução financeira”- na década de 1980 -, que provocou uma espécie de retorno às origens da relação entre o poder, a moeda e o crédito.
Os EUA voltaram a definir, de forma soberana e isolada, o valor da sua moeda, apesar de que ela já fosse a moeda internacional, e também o valor dos seus títulos da dívida pública, apesar de que eles se tenham se transformado na base de referencia da própria moeda. Além disto, o governo americano desregulou seus mercados financeiros, e com isto liberou a expansão quase infinitamente elástica do crédito, longe do mundo das mercadorias e do “valor-trabalho’, e limitado apenas pela capacidade de tributação e endividamento do próprio estado americano, que ainda é um poder em expansão, e que ganha mais poder, com o fortalecimento do seu crédito internacional, e do seu capital financeiro.
Neste sistema, portanto, não existe um “conflito perene” entre a política e o mercado, como pensa a teoria econômica convencional. O que existe e sempre existiu, é uma “memorável aliança”, entre o poder e a finança, que esteve na origem do capitalismo, e do “milagre europeu”, segundo Max Weber, e que segue movendo a fronteira expansiva do sistema inter-estatal capitalista, neste início do século XXI..
José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
postado por: Paulo César Azevedo Ribeiro 9:32 AM
Sábado, Setembro 20, 2008
Curso de Relações Internacionais
Disciplina: História Contemporânea
Prof.: Paulo César Azevedo Ribeiro
Setembro de 2007
(Prova antiga para ser utilizada apenas como exercício preparatório para a próxima prova)
Questões:
1 – Por que o período 1800-1870 é o do capitalismo industrial ainda livre-concorrencial, onde predominam pequenas e médias propriedades? Como funcionou o processo de assalariamento de milhares e depois milhões de ex-servos (camponeses) e ex-artesões que constituíram o proletariado? (Capítulo 3 do Michel Beaud)
2 – Diferencie as utopias liberais das utopias socialistas, associando-as com as classes sociais emergentes na Inglaterra da Revolução Industrial (1750-1840). Como se dividiam os socialistas ou social-democratas? (BEAUD, cap. 3)
3 – Quais são e como Beaud descreve o jogo das quatro contradições do capitalismo, que são exacerbadas durante as suas crises? Quais são as conseqüências dessas contradições nas sociedades capitalistas no final do século XIX e no início do século XX? (Cap. 4)
4 – Quais foram as principais conseqüências da “Grande Depressão” (1873-1896) e como você pode relacioná-la com a Segunda Revolução Industrial e com a Expansão Imperialista Européia na Ásia e na África?
5 – A partir dos primeiros capítulos do livro “Era dos Extremos”, de Hobsbawm discorra sobre as duas grandes guerras mundiais do século XX, destacando suas semelhanças e suas diferenças.
6 – Por que Hobsbawm afirma que no século XX “as revoluções são filhas das guerras”?
7 – O que foi o New Deal? Por que ele dá origem ao Welfare State? Quem influenciou F. D. Roosevelt com suas idéias de pleno emprego (das forças produtivas)? O que é a “Escola da Regulação”?
8 – Por que após a Grande Guerra (1914-1918) os Estados Liberais estão em crise? Qual o significado do surgimento do Estado Soviético, dos Estados Fascistas (Itália e Alemanha) e da experiência do New Deal (nos EUA de Roosevelt) em relação a não-intervenção defendida pelo Estado Liberal em relação às relações econômico-sociais? Pode-se falar de Welfare e Warfare State como conseqüências dessas experiências?
9 – Diferencie o Welfare State do Warfare State.
postado por: Paulo César Azevedo Ribeiro 9:49 PM
Curso de Relações Internacionais
Disciplina: História Moderna
Prof.: Paulo César Azevedo Ribeiro
Abril de 2008
(Prova Antiga para ser utilizada como exercício preparatório para a próxima prova)
Questões:
1 – O que é História? Como você pode conceituar o processo de reprodução econômico, político e cultural no tempo e no espaço? O passado pode nos ajudar a compreender o presente? Como o passado colonial latino-americano e do sul dos EUA deixaram marcas em nossas sociedades nas Américas?
2 – O que representou a formação dos modernos Estados Modernos para os antigos feudos medievais e seus senhores? Que relações os monarcas mantinham com o clero, com a nobreza e com a burguesia?
3 – Podemos dizer que a acumulação primitiva de capital foi a coveira do feudalismo e a parteira do capitalismo? Por que sim ou por que não?
4 – Qual foi a importância do Renascimento Cultural e Artístico, das Reformas Protestantes, do Humanismo e da Revolução Científica do século XVI para a chamada Idade Moderna?
5 – Por que o estudo da mercadoria é chave para a compreensão da história do sistema econômico capitalista? Diferencie o que é riqueza, de dinheiro e de capital. Explique a diferença entre valor de uso e valor de troca e sua relação.
6 – Como se pode dividir a duração da jornada de trabalho? O que é o salário e o que é a mais-valia?
7 – Diferencie a mais-valia absoluta da mais-valia relativa.
7 – Quais foram os pilares do desenvolvimento econômico da Holanda no início da Era Moderna? Por que e como a Holanda conseguiu se destacar nas atividades comerciais e financeiras, competindo com os impérios ibéricos (Portugal e Espanha), com a Inglaterra e com a França?
8 – Como evoluíram as chamadas políticas econômicas mercantilistas na Era Moderna?
9 – Em que se baseavam as chamadas colônias de exploração e como se diferenciavam das colônias de povoamento?
postado por: Paulo César Azevedo Ribeiro 9:44 PM